Mpls vs Ethernet Comparacao Tecnica para Redes Corporativas

Introdução

No comparativo técnico entre MPLS vs Ethernet comparacao tecnica para redes corporativas, abordaremos em profundidade arquiteturas, KPIs e requisitos de projeto para Engenheiros Eletricistas, Projetistas de Produtos (OEMs), Integradores e Gerentes de Manutenção. Usarei termos como PE/CE, LSP, VPLS, EVPN, e métricas como RTT, jitter, perda de pacote, MTTR e TCO, além de relacionar normas aplicáveis a equipamentos de borda como IEC/EN 62368-1 e IEC 60601-1 quando pertinente ao fornecimento e certificação de hardware.
Este artigo tem objetivo prático: mostrar onde cada tecnologia atua na pilha de rede, como afeta SLAs e custos, e fornecer um roteiro de projeto, migração e operação. Haverá exemplos de configuração, políticas de QoS, procedimentos de OAM (BFD, LSP ping, Y.1731) e playbooks de recuperação.
Convido você a comentar dúvidas específicas ou casos de uso complexos ao final; essa interação ajuda a refinar recomendações arquiteturais e a transformar o conteúdo em um guia aplicável ao seu ambiente industrial ou corporativo.


1) O que são MPLS e Ethernet — Fundamentos essenciais para redes corporativas

Fundamentos e modelo de operação

O MPLS (Multiprotocol Label Switching) é uma tecnologia de comutação baseada em rótulos que opera entre as camadas 2 e 3 do modelo OSI, usada para encaminhamento determinístico e serviços L2/L3 (por exemplo, L3VPN, VPLS, EVPN). O MPLS encapsula pacotes com labels que permitem trajetórias chamadas LSP (Label Switched Paths), reduzindo a complexidade das decisões de roteamento em cada nó.
A Ethernet convencional é uma tecnologia de camada 2 que transporta frames e hoje é amplamente utilizada em MAN/WAN com variantes de serviço (E-Line, E-LAN via pseudowires, EVPN). Em ambientes corporativos, Ethernet fornece alta largura de banda e baixo custo por bit, sendo comum em topologias metro/fitas de agregação.
Analogicamente, pense no MPLS como etiquetas postais que dizem exatamente por qual rota o envelope deve seguir, enquanto a Ethernet é o próprio envelope que transporta o conteúdo — a diferença entre label e frame determina latência de decisão, escalabilidade e modelo de serviço.

Topologias típicas e terminologia chave

Topologias MPLS típicas incluem full-mesh entre PE, modelos hub-and-spoke (centro de dados como hub) e redes em camadas com core de service provider. Terminologia crítica: PE (Provider Edge), CE (Customer Edge), LSP, VRF, RT e BGP/MPLS VPN. Para Ethernet, vemos topologias point-to-point, ring, e meshed com tecnologies de proteção como RSTP, MSTP ou características de carrier como LACP e Q-in-Q.
Serviços Ethernet evoluíram para suportar modelos L2 VPN (pseudowire, VPLS) e overlays como EVPN-VXLAN que unem controle BGP com encapsulamento L2 sobre L3, ideal para data centers e multi-tenant. Em MPLS, o controle de caminho e priorização de tráfego (Traffic Engineering) é nativo via RSVP-TE ou Segment Routing (SR-MPLS).
A escolha entre MPLS e Ethernet impacta diretamente protocolos de controle (BGP, OSPF, ISIS), requisitos de equipamentos (PE com capacidade de label switch), e necessidades de interworking quando coexistem (MPLS sobre transportes Ethernet ou vice-versa).

Quadro rápido de capacidades

  • MPLS: SLAs determinísticos, suporte a QoS granular, Traffic Engineering avançado, recuperação rápida com FRR/LFA e suporte natural a VPNs segmentadas (L2/L3).
  • Ethernet: Maior largura de banda por custo, simplicidade de operação, ideal para agregação e serviços de alta capacidade; quando combinado com EVPN entrega segmentação mais flexível em DC.
  • Ambos: podem coexistir — MPLS sobre Ethernet ou EVPN-VXLAN para unificar DC e WAN. Para mais leitura sobre interoperabilidade e SD-WAN, veja o artigo do blog: https://blog.ird.net.br/mpls-vs-sd-wan.

2) Por que a escolha importa — Benefícios, trade-offs e KPIs para redes corporativas

Impactos em latência, jitter e SLAs

A seleção entre MPLS e Ethernet altera diretamente métricas como RTT, jitter e perda de pacotes, que são críticas para voz, vídeo e aplicações industriais determinísticas. MPLS tende a oferecer caminhos mais estáveis e apoio a QoS fim-a-fim garantido pelo provedor, reduzindo jitter e perda em cenários multihop. Ethernet pode atingir menor latência em enlaces diretos de alta capacidade, mas sem políticas de SLA por fluxo, a performance pode variar em congestionamentos.
Para aplicações sensíveis (SCADA, telefonia crítica, telemetria), métricas típicas de aceitação: RTT < 50 ms, jitter < 20 ms, perda < 0.1%. Esses valores devem ser negociados no SLA e testados em condições de carga. KPIs a monitorar: RTT, jitter, perda, disponibilidade (níveis de “nove” – 99.9% etc.), MTTR, e custo por site.
Comparar essas métricas exige testes controlados (iperf, ping com timestamp, MOS para voz), além de simular falhas para medir recuperação e comportamento de QoS em situações degradadas.

Trade-offs comerciais e operacionais

Do ponto de vista comercial, Ethernet normalmente oferece menor TCO em links de alta largura (fibra metro), enquanto MPLS traz vantagem na garantia de SLAs e serviços gerenciados com suporte ao cliente. O trade-off é entre custo e previsibilidade: MPLS tem maior custo por Mbps, mas compensa quando exigência de disponibilidade e prioridade de tráfego é crítica.
Operacionalmente, Ethernet requer menos especialização em label-switching, mas pode precisar de controle adicional (EVPN, VXLAN, QOS) para igualar funcionalidades de isolamento e multitenancy providas nativamente pelo MPLS. Integradores devem avaliar CAPEX (equipamento, switches, roteadores) vs OPEX (contratos, monitoração, equipe).
KPIs financeiros: custo por Mbps, custo por site para garantia de 99.95% vs 99.99%, e impacto do downtime medido em MTTR e custo por hora de indisponibilidade — fatores essenciais ao decidir entre modelos.

Quando cada tecnologia entrega valor

Escolha MPLS quando houver necessidade de SLAs estreitos, prioridade de tráfego por fluxo, e suporte a VPNs L3/VPN com roteamento centralizado. Exemplos: redes bancárias, backhaul crítico, interconexão de data centers com requisitos de segurança e segmentação forte.
Escolha Ethernet (com EVPN quando necessário) para ambientes com demanda massiva de banda, custo sensível e topologias metro/edge, como aggregadores de filiais, campus e redes de backup. Quando combinado com SD‑WAN, Ethernet pode prover flexibilidade e redução de custos para tráfego não crítico.
Para projetos híbridos, considere MPLS+Ethernet onde MPLS garante o núcleo crítico e Ethernet suporta agregação e alta capacidade local — essa combinação equilibra custo, desempenho e escalabilidade.


3) Como projetar e migrar — Guia prático passo a passo para implementar MPLS ou Ethernet em ambientes corporativos

Levantamento de requisitos e seleção de serviços

Comece com um inventário detalhado: aplicações, requisitos de RTT/jitter/perda por aplicação, horários de pico, topologia atual, capacidade de portas e redundância elétrica (observando normas de hardware como IEC/EN 62368-1 e parâmetros de confiabilidade como MTBF). Mapear fluxos leste-oeste e norte-sul é essencial para dimensionar links e políticas de QoS.
Defina prioridades de negócio e mapeie para KPIs técnicos. Por exemplo, aplicações de voz/SCADA → prioridade alta, RTT e jitter estritos; backups e sincronização → prioridade média/baixa. Escolha serviços: L3VPN (BGP/MPLS) para isolamento de roteamento, VPLS/EVPN para L2 multiponto, EVPN-VXLAN em data centers.
Checklist inicial: link budgets, SLA desejado por site, equipamentos CE com suporte a BGP/MPLS/EVPN, tabelas de rota esperadas, e políticas de QoS. Documente interfaces físicas, horários de manutenção e fallback.

Topologias de referência e decision tree

Modelos de referência: branch-to-DC (filiais conectadas a DC via MPLS/EVPN), hub-and-spoke (centro de serviços centralizado), e meshed (para baixa latência entre sites críticos). Use hub-and-spoke para simplificar roteamento e meshed quando baixa latência entre filiais for necessária.
Decision tree prática: se SLA crítico e suporte a QoS por fluxo → considerar MPLS L3VPN; se necessidade de alto throughput e custo reduzido → Ethernet/EVPN; se mobilidade e conectividade multi-link → SD‑WAN com ou sem MPLS como underlay. Inclua condições de fallback e testes A/B.
Diagrama típico (simplificado): Filiais —(CE)— ISP/MPLS — PE — Core DC (VRF) — serviços. Para EVPN-VXLAN: Leaf/Spine com EVPN control plane para distribuição de MAC/IP.

Plano de migração e cutover

Planeje migração por ondas (pilot → 10% → 50% → 100%), iniciando por sites não-críticos. Estabeleça janela de cutover, rollback plan e testscripts (checar BFD, LSP ping, tabelas VRF, QoS counters). Utilizar simulação de tráfego em lab é obrigatório para validar políticas.
Checklist de cutover inclui validar adjacências BGP/OSPF, ativar MPLS/CEF, verificar labels, validar QoS (policies e class-maps), configurar OAM (Y.1731 para Ethernet, LSP ping para MPLS). Automatize testes com scripts (ex.: Ansible + pytest) para reduzir erro humano.
Defina critérios de aceitação (KPIs) por site: RTT/jitter/perda dentro de limites, rotas propagadas corretamente, e recuperação de falha testada (simular link down e medir FRR/BFD).

Para aplicações que exigem essa robustez, a série de roteadores industriais da IRD.Net é a solução ideal: https://www.ird.net.br/produtos/roteadores-industriais. Para agregação e switches com suporte a EVPN e QoS industrial, veja: https://www.ird.net.br/produtos/switches-ethernet-industriais.


4) Implementação e operações — Configurações, QoS, OAM e rotina de troubleshooting (MPLS vs Ethernet)

Comandos e exemplos essenciais (exemplo genérico)

Exemplo rápido (pseudocódigo Cisco-like) para ativar MPLS e VPN no PE:

  • ip cef
  • mpls ip
  • router bgp 65000
    • neighbor X remote-as Y
    • address-family vpnv4
    • redistribute connected
      Configuração CE simples (BGP):
  • router bgp 65001
    • neighbor PE_IP remote-as 65000
    • neighbor PE_IP activate
      Esses exemplos são base; adapte para Juniper/Cumulus e valide distribuição de labels e VRF.
      Para EVPN-VXLAN (control-plane BGP/EVPN), ative EVPN address-family e associe VNIs nos Leafs/Spines, com flood-control via EVPN Type-2/Type-5. Documente rotas, RD/RT e políticas de import/export.

Políticas de QoS e OAM

Estruture QoS em três etapas: classificação (class-map), marcação (policy-map), e enfileiramento (queuing/shaping). Exemplo de classes: latência crítica (VoIP/SCADA), priorizada (ERP), best-effort. Use remarking para MPLS EXP/TC bits e para DSCP em underlay.
Implemente OAM regulamentado: BFD para detecção rápida de falhas (sub-50 ms), LSP ping e LSP traceroute para MPLS, e Y.1731 para continuidade de serviço em Ethernet com métricas de delay e jitter. Configure thresholds e alarmes de integração com NMS.
Monitore counters de QoS, drops por interface, utilização por fila e latências por hop. Integre com sistemas de telemetry (gNMI/RESTCONF) para coleta contínua e alertas pró-ativos.

Troubleshooting e runbooks

Crie runbooks para falhas comuns: perda de rota BGP, labels ausentes, saturação de fila e loop L2. Procedimento padrão: validar conectividade física, checar logs OSPF/BGP, verificar tabelas de labels (show mpls forwarding), e checar counters de QoS.
Scripts exemplares de verificação: ping com timestamp, traceroute MPLS/LSP, checagem de BFD session, e teste de perf (iperf3) para validar throughput e latência sob carga. Documente RTs esperados e gatilhos de escalonamento.
Para recuperação, automatize rollback (config snippets mantidos no versionamento), e utilize isolamento de falhas com testes incremental; treine equipe de NOC para procedimentos de escalonamento e comunicação com provedores.


5) Comparação técnica avançada e erros comuns — Latência, redundância, segurança, custos e integração (MPLS vs Ethernet)

Medições de desempenho e modelos de custo

Estudos de medição mostram que MPLS fornece recuperação rápida (FRR < 50 ms com configuração adequada) e latência previsível, enquanto Ethernet em enlaces diretos pode apresentar latências menores em tabela, mas maior variabilidade sem QoS. Tabelas comparativas típicas incluem: RTT médio (ms), jitter (ms), perda (%) e tempo de recuperação (s).
Modelos de custo devem considerar CAPEX (equipamentos PE/CE, WAN accelerators) e OPEX (links, manutenção, SLAs). Calcule custo por Mbps e custo por site para níveis de disponibilidade (ex.: custo adicional para 99.99% vs 99.95%). Faça TCO em 3–5 anos e inclua custos de mão de obra e treinamento.
Ferramentas de benchmarking: IETF RFCs para medição, iperf, BWP, e sondas OAM. Comparar resultados em cenários de pico e falha é essencial para decisões racionais.

Coexistência e integração (armadilhas)

Coexistência típica: MPLS sobre Ethernet em provedores que usam transportes Ethernet para o core, ou EVPN-VXLAN para unificar DC e WAN. Armadilhas comuns incluem mismatch de MTU (VXLAN adiciona overhead), inconsistências de QoS entre domains (EXP vs DSCP), e problemas de ARP/ARP-flapping em VPLS.
Integração BGP entre domínios exige planejamento de RD/RT e políticas de import/export; erros podem causar vazamento de rotas ou loops. Ao migrar para EVPN, ajuste timers e stabilize MAC learning para evitar tempestades.
Recomendações: padronize MTU, harmonize políticas de QoS end-to-end, use filtros de controle de rota, e documente transformação de marcação de pacotes entre domínios (remarking).

Estudo de caso e mitigação

Cenário: falha de link em backbone Ethernet sem MPLS, causando flutuações de latência e perda temporária de serviços. Mitigação: introduzir EVPN com proteção multi-homing e BFD para detecção rápida, ou migrar links críticos para MPLS com SLA.
Outro caso: provedor entrega Ethernet sem QoS e tráfego de backup congestiona link de voz. Solução: implementar policing/shaping no CE, ou mover voz para MPLS com contractual QoS. Teste cada mitigação em ambiente controlado antes do cutover.
Conclusão técnica: escolha híbrida frequentemente oferece melhor custo-benefício — MPLS para serviços críticos e Ethernet/EVPN para agregação e alta capacidade.


6) Decisão estratégica e roadmap futuro — Quando optar por MPLS, Ethernet ou SD‑WAN; recomendações acionáveis

Matriz de decisão e recomendações iniciais

Matriz simplificada:

  • Necessidade de SLA estrito, isolação por VPN e Traffic Engineering → MPLS L3VPN
  • Alta largura de banda, custo sensível, integração DC → Ethernet/EVPN
  • Agilidade, múltiplos underlays e políticas de encaminhamento por aplicação → SD‑WAN com/sem MPLS
    Use essa matriz como ponto de partida e ajuste para requisitos de latência, segurança e conformidade. Priorize provas de conceito (PoC) por 3–6 meses para validar solução em seu tráfego real.
    Inclua stakeholders de segurança, operações e finanças na tomada de decisão. Estime impacto financeiro com cenários “com” e “sem” migração, incluindo riscos de continuidade.

Roadmap 0–36 meses

  • 0–6 meses: PoC em 2–3 sites, padronização de equipamentos CE/PE, validar QoS e OAM.
  • 6–18 meses: Migração faseada por ondas, implementação de monitoramento por telemetry, capacitação da equipe.
  • 18–36 meses: Otimização (segment routing, EVPN-VXLAN, SD‑WAN integração), revisão de contrato com provedores e otimização de TCO.
    KPIs para cada fase: disponibilidade, RTT médio, custo por Mbps, MTTR, e satisfação do usuário (NPS interno).

Passos imediatos para piloto e engajamento

  1. Defina 2–3 aplicações críticas e KPIs mensuráveis.
  2. Selecione sites para PoC que representem diversidade de condições (backhaul, fibra, rádio).
  3. Use ferramentas de automação (Ansible) para deploy e scripts de verificação.
    Inicie contato com fornecedores certificados e integre a solução com plataformas de NOC/NMS existentes. Para suportar implementações industriais com robustez e certificação, avalie os equipamentos de roteamento e switches industriais da IRD.Net.

Conclusão

A escolha entre MPLS e Ethernet (e suas combinações com EVPN, VXLAN e SD‑WAN) deve ser guiada por requisitos técnicos mensuráveis (RTT, jitter, perda, disponibilidade), custos totais e capacidade operacional da equipe. MPLS permanece a opção robusta para SLAs rigorosos; Ethernet/E VPN é superior em custo por bit e escalabilidade de banda em ambientes metro/DC.
Projetar corretamente exige levantamento detalhado, PoC controlado, políticas de QoS e OAM bem definidas, e um plano de migração faseado com rollback. Integração e harmonização de marcações/MTU/QoS entre domínios é crítico para evitar problemas.
Pergunte nos comentários sobre seu caso específico: descreva aplicações, topologia atual e objetivos de SLA — responderemos com recomendações práticas. Para mais artigos técnicos consulte: https://blog.ird.net.br/

Foto de Leandro Roisenberg

Leandro Roisenberg

Engenheiro Eletricista, formado pela Universidade Federal do RGS, em 1991. Mestrado em Ciências da Computação, pela Universidade Federal do RGS, em 1993. Fundador da LRI Automação Industrial em 1992. Vários cursos de especialização em Marketing. Projetos diversos na área de engenharia eletrônica com empresas da China e Taiwan. Experiência internacional em comercialização de tecnologia israelense em cybersecurity (segurança cibernética) desde 2018.

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