Cabo DAC (Direct Attach Cable) é um cabo de cobre twinax com um conector SFP+, SFP28, QSFP+ ou QSFP28 montado em cada ponta, usado para ligar diretamente duas portas de switch, servidor ou storage a curta distância, sem transceptor óptico nem fibra. O DAC passivo vai, em geral, até 5 a 7 m conforme a velocidade; para distâncias maiores existem o DAC ativo e o AOC (Active Optical Cable), que tem os mesmos conectores mas usa fibra no meio.
A seguir: como o DAC funciona, os tipos (passivo, ativo, AOC, breakout), os comprimentos máximos por velocidade, quando ele é melhor que um módulo SFP com fibra, como dimensionar o comprimento num rack e os problemas mais comuns de compatibilidade.
Como funciona um cabo DAC
Uma porta SFP+ ou QSFP de switch não tem interface física própria: ela espera receber um módulo, que converte o sinal elétrico de alta velocidade da placa para o meio de transmissão. No caso de um transceptor óptico, esse módulo tem laser e fotodetector e precisa de um cordão de fibra. No DAC, o “módulo” de cada ponta é só um conector com uma pequena memória EEPROM de identificação, e o sinal elétrico diferencial da porta segue direto por pares de cobre até a outra ponta.
O cabo usado é o twinax (twin-axial): cada par é formado por dois condutores paralelos dentro de uma blindagem comum, com impedância diferencial controlada de 100 Ω. Não é par trançado: a geometria paralela e blindada é o que permite levar 10 ou 25 Gb/s por par no cobre, à custa de alcance curto. Um DAC SFP+ tem um par em cada sentido; um DAC QSFP tem quatro pares em cada sentido (quatro vias).
A EEPROM do conector segue o mapa de memória das especificações SFF (SFF-8472 no SFP/SFP+, SFF-8636 no QSFP+/QSFP28) e informa ao switch o tipo de cabo, comprimento, fabricante e número de série. É por ela que o equipamento reconhece, aceita ou recusa o cabo.
Tipos de DAC: passivo, ativo, AOC e breakout
| Tipo | Meio | Eletrônica no conector | Alcance | Quando usar |
|---|---|---|---|---|
| DAC passivo | Cobre twinax | Nenhuma (só a EEPROM); a equalização é feita pela porta do equipamento | Curto (até cerca de 7 m em 10G) | Mesmo rack ou rack vizinho; menor custo e consumo |
| DAC ativo (ACC/AEC) | Cobre twinax | Circuito de equalização ou retemporização no conector | Um pouco maior que o passivo; permite cabo mais fino | Quando o passivo não alcança ou ocupa espaço demais |
| AOC (Active Optical Cable) | Fibra óptica fixa ao cabo | Laser e fotodetector embutidos nos conectores | Dezenas de metros | Entre racks e fileiras; imune a interferência eletromagnética |
| DAC breakout | Cobre twinax | Normalmente passivo | Curto | Uma porta QSFP do switch para quatro portas SFP (ex.: 40G → 4 × 10G, 100G → 4 × 25G) |
A rigor, o AOC não é um DAC: tem os mesmos conectores e a mesma lógica de “cabo com módulo fixo”, mas o meio é óptico. Ele aparece junto nesta comparação porque disputa a mesma aplicação. O artigo o que são os cabos AOC detalha esse tipo.
Variações SFP e QSFP: velocidade, vias e alcance
O formato do conector define quantas vias o cabo tem; a velocidade por via define o alcance que o cobre consegue manter. Os valores de alcance abaixo são os definidos nas normas IEEE para cada tipo de cabo de cobre, ou o praticado pelos fabricantes no caso do SFP+, que não tem uma cláusula IEEE própria para cobre:
| Formato | Taxa | Vias por sentido | Especificação do enlace em cobre | Alcance do DAC passivo |
|---|---|---|---|---|
| SFP+ | 10 Gb/s | 1 × 10G | SFF-8431 (10GSFP+Cu) | Até cerca de 7 m (catálogos comuns de 1 a 7 m) |
| SFP28 | 25 Gb/s | 1 × 25G | IEEE 802.3by (25GBASE-CR / CR-S) | Até 5 m (3 m para os cabos de classe CA-25G-S e CA-25G-N) |
| QSFP+ | 40 Gb/s | 4 × 10G | IEEE 802.3ba (40GBASE-CR4) | Até 7 m |
| QSFP28 | 100 Gb/s | 4 × 25G | IEEE 802.3bj (100GBASE-CR4) | Até 5 m |
Acima de 25 Gb/s por via, com modulação PAM4, o alcance do cobre passivo cai ainda mais, e o AOC ou o transceptor óptico passam a ser a escolha normal entre racks.
Dois cuidados práticos: a bitola e o FEC. Cabos mais longos usam condutores mais grossos (AWG menor) para compensar a perda, ficando mais rígidos; cabos curtos costumam ser de 30 AWG, mais flexíveis. Em 25G, os cabos mais longos (classe CA-25G-L, até 5 m) exigem correção de erro RS-FEC habilitada nas duas portas; no 100GBASE-CR4 o RS-FEC faz parte do padrão em qualquer comprimento. Se uma ponta usa FEC e a outra não, o link não sobe.
DAC ou módulo SFP com fibra?
É a dúvida por trás de buscas como “DAC vs SFP”. O DAC não substitui o padrão SFP: ele é um SFP, com o cabo já preso. A comparação real é entre DAC e o conjunto “dois transceptores ópticos + cordão de fibra”:
| Critério | Cabo DAC passivo | 2 módulos SFP+ ópticos + cordão de fibra |
|---|---|---|
| Distância | Poucos metros | De centenas de metros a dezenas de km, conforme o módulo |
| Peças por enlace | 1 | 3 |
| Consumo | Praticamente nulo no cabo | Laser e eletrônica em cada módulo |
| Diagnóstico (DDM/DOM) | Não tem temperatura, potência óptica nem tensão | Tem, pela interface SFF-8472 |
| Interferência eletromagnética | Cobre blindado, sensível em ambientes severos | Imune |
| Isolação galvânica entre equipamentos | Não há | Total |
| Troca de um lado | Troca-se o cabo inteiro | Troca-se só o módulo ou o cordão |
| Volume no rack | Cabo mais grosso e rígido | Cordão fino e flexível |
Regra prática: dentro do mesmo rack ou entre racks encostados, DAC. Entre fileiras, entre salas ou em ambiente com motores, inversores e cabos de potência, fibra (módulo óptico ou AOC). Para o caminho óptico, veja os módulos SFP+ 10 Gbps da IRD.Net.
Exemplo prático: escolhendo o comprimento do DAC num rack
Um servidor no U20 de um rack de 42U precisa ser ligado ao switch de topo de rack instalado no U40, com duas portas SFP+ 10G para redundância.
- Distância vertical: 40 − 20 = 20 U. Como 1 U = 44,45 mm (EIA-310), são 20 × 44,45 = 889 mm ≈ 0,9 m.
- Percurso horizontal: da porta do servidor até o organizador lateral e do organizador até a porta do switch, cerca de 0,3 m no total.
- Folga para curvas e manutenção: acrescente uns 20%: (0,9 + 0,3) × 1,2 ≈ 1,45 m.
- Comprimento comercial: o próximo acima é 1,5 m. Um cabo de 3 m funcionaria, mas sobraria 1,5 m enrolado no rack, atrapalhando o fluxo de ar.
Resultado: dois cabos DAC passivos SFP+ 10G de 1,5 m, no lugar de quatro transceptores ópticos e dois cordões. O modelo da IRD.Net é twinax passivo de 30 AWG, impedância de 100 Ω, consumo típico abaixo de 0,5 W e compatível com o padrão SFP+ MSA. Para o rack vizinho, a versão de 3 m está na categoria de cabos DAC. Do lado do servidor, a porta SFP+ vem de uma placa de rede PCI Express com porta SFP+ 10G.
Compatibilidade: por que o switch às vezes recusa o DAC
Mecanicamente, qualquer DAC SFP+ encaixa em qualquer porta SFP+. Eletricamente também deveria funcionar, porque todos seguem o mesmo MSA. A recusa vem do firmware: alguns fabricantes de switch leem a EEPROM e só aceitam cabos com o próprio código de fabricante. Os sintomas são porta desativada, mensagem de “transceiver não suportado” ou link que não sobe.
- Confira na documentação do switch se ele restringe módulos de terceiros e se há comando para liberar.
- Em DAC entre equipamentos de marcas diferentes, cada ponta pode precisar de uma codificação diferente; existem cabos com cada ponta codificada para uma marca.
- Teste antes de comprar em volume: ligue uma unidade nos dois equipamentos reais.
Para a parte física da instalação de módulos, veja como configurar e instalar módulos SFP em switches e roteadores.
Instalação e diagnóstico
- Inserção: o DAC é hot-pluggable. Encaixe até ouvir a trava; para remover, puxe a alça de liberação, nunca o cabo.
- Curvatura: respeite o raio mínimo informado pelo fabricante. Twinax dobrado em ângulo agudo perde desempenho e pode gerar erros sem derrubar o link.
- Peso: apoie o cabo em organizadores; o peso pendurado no conector força a gaiola SFP da porta.
- Leitura da EEPROM no Linux:
ethtool -m eth0mostra o tipo de cabo, o comprimento e o fabricante gravados no conector. Em um DAC passivo não espere leituras de temperatura ou potência: ele não tem DDM. - Erros: acompanhe os contadores de CRC da interface. CRC crescente com o link ativo indica cabo danificado, dobrado ou longo demais para a velocidade.
Erros comuns
- Comprar o DAC mais longo “por garantia”. Sobra cabo grosso enrolado, que bloqueia o fluxo de ar e aproxima o limite de alcance.
- Usar DAC entre ambientes com potenciais de terra diferentes. O cobre liga eletricamente os dois equipamentos; em prédios diferentes ou painéis industriais distantes, use fibra.
- Esperar diagnóstico óptico de um DAC passivo. Sem DDM, a monitoração depende dos contadores de erro da porta.
- Misturar configuração de FEC nas duas pontas de um enlace 25G ou 100G.
- Ignorar a restrição de fabricante do switch antes de padronizar o estoque.
- Confundir breakout com agregação. Um breakout QSFP28 → 4 × SFP28 entrega quatro portas independentes de 25G, não uma porta de 100G.
Perguntas Frequentes
O que é cabo DAC?
Cabo DAC (Direct Attach Cable) é um cabo de cobre twinax com conectores SFP+, SFP28, QSFP+ ou QSFP28 fixos nas pontas, que liga diretamente duas portas de rede a curta distância, sem transceptor óptico nem fibra. É a forma mais barata e de menor consumo de fazer enlaces de 10G a 100G dentro do rack.
Qual a diferença entre DAC e SFP?
O DAC é um tipo de SFP: os conectores dele são módulos SFP+ (ou QSFP) com o cabo de cobre já preso. A comparação útil é DAC contra módulo SFP óptico com fibra: o DAC é mais barato e consome menos, mas só alcança poucos metros, não tem diagnóstico DDM e não isola os equipamentos.
Qual o comprimento máximo de um cabo DAC?
Para DAC passivo, cerca de 7 m em SFP+ 10G e QSFP+ 40G, e 5 m em SFP28 25G e QSFP28 100G, conforme as especificações de cada tipo. Acima disso, use DAC ativo, AOC ou transceptor óptico com fibra.
Qual a diferença entre DAC passivo e ativo?
O passivo é só cobre e EEPROM; a equalização do sinal fica por conta da porta do equipamento. O ativo tem um circuito no conector que equaliza ou regenera o sinal, alcançando um pouco mais ou permitindo cabo mais fino. O AOC é diferente: usa fibra óptica dentro do cabo.
O que é um DAC QSFP breakout?
É um cabo com um conector QSFP numa ponta e quatro conectores SFP na outra. Ele divide uma porta de 40G em quatro de 10G, ou uma de 100G em quatro de 25G, desde que o switch suporte o modo breakout naquela porta.
Cabo DAC funciona em qualquer switch?
Fisicamente encaixa em qualquer porta do mesmo formato, mas alguns switches só aceitam cabos com o código do próprio fabricante gravado na EEPROM. Confira a política de módulos do equipamento e teste uma unidade antes de padronizar.