SFP (Small Form-factor Pluggable) é um transceptor compacto e removível que se encaixa numa porta do switch, roteador, conversor ou placa de rede e define o meio físico daquela porta: fibra multimodo, fibra monomodo ou cobre RJ45. No caso óptico, ele converte o sinal elétrico do equipamento em luz e a luz recebida de volta em sinal elétrico. A mesma porta SFP, portanto, pode ligar um equipamento a 300 m ou a 80 km — basta trocar o módulo.
Este guia explica o padrão que torna os módulos intercambiáveis (MSA), as diferenças entre SFP, SFP+ e SFP28, as distâncias de cada tipo, o que o DDM mede e como fazer a conta de potência óptica antes de comprar.
O que significa SFP e de onde vem o padrão
O SFP não é norma de um órgão como o IEEE: é um MSA (Multi-Source Agreement), um acordo entre fabricantes que fixa as dimensões, o conector elétrico, a alimentação e a memória de identificação do módulo. É por causa dele que um módulo de um fabricante encaixa e funciona na porta de outro. Os documentos são publicados pelo comitê SFF (hoje SNIA SFF TWG):
| Documento | O que define |
|---|---|
| INF-8074i | o SFP original: mecânica, conector elétrico e EEPROM de identificação |
| SFF-8472 | o diagnóstico digital (DDM/DOM) e o mapa de memória dos módulos SFP/SFP+ |
| SFF-8431 / SFF-8432 | interface elétrica e mecânica do SFP+ (10 Gbps) |
| SFF-8402 | SFP28 (25 Gbps por canal) |
| SFF-8436 / SFF-8665 | QSFP+ (4 × 10 Gbps) e QSFP28 (4 × 25 Gbps) |
Já o que o módulo faz na fibra — comprimento de onda, alcance, potência — segue as normas Ethernet do IEEE 802.3 (1000BASE-SX, 10GBASE-LR etc.). O MSA garante que o módulo encaixa e é reconhecido; o IEEE 802.3, que os dois lados do enlace se entendem.
Como funciona um módulo SFP
Por dentro, um SFP óptico tem quatro blocos:
- Transmissor: driver e laser (VCSEL em 850 nm para multimodo; FP ou DFB em 1.310 e 1.550 nm para monomodo).
- Receptor: fotodiodo (PIN ou APD) e amplificador, que devolvem o sinal elétrico ao equipamento e sinalizam perda de sinal (LOS).
- Memória EEPROM lida pelo equipamento via I²C: no endereço A0h, a identificação (fabricante, número de série, tipo, comprimento de onda); no A2h, os valores de diagnóstico do DDM.
- Carcaça metálica com trava, que blinda contra interferência e dissipa calor.
O módulo é alimentado pela porta em 3,3 V e é hot-pluggable: pode ser inserido e retirado com o equipamento ligado. Existem também SFPs de cobre RJ45 (1000BASE-T, até 100 m em cabo Cat5e ou superior) e cabos DAC, que são dois módulos ligados por cabo fixo, para distâncias de poucos metros dentro do rack.
Tipos de módulos SFP: SFP, SFP+, SFP28 e QSFP
| Formato | Velocidade Ethernet | Taxa de linha | Uso típico |
|---|---|---|---|
| SFP | 100 Mbps e 1 Gbps | 1,25 Gbd em 1 GbE (codificação 8b/10b) | uplink de switch de acesso, conversor de mídia, CFTV, automação |
| SFP+ | 10 Gbps | 10,3125 Gbd (64b/66b) | uplink de núcleo, servidores, enlaces entre prédios |
| SFP28 | 25 Gbps | 25,78125 Gbd | servidores e switches de data center |
| QSFP+ | 40 Gbps (4 × 10G) | 4 canais | núcleo e agregação |
| QSFP28 | 100 Gbps (4 × 25G) | 4 canais | núcleo de data center, backbone |
É por isso que módulos “1G” aparecem como 1,25 Gbps nas fichas: é a taxa de linha, com a codificação. SFP, SFP+ e SFP28 têm o mesmo tamanho; o QSFP é mais largo e não encaixa numa porta SFP.
Compatibilidade entre gerações
- Muitas portas SFP+ aceitam módulos SFP de 1 Gbps, mas não todas — confirme na ficha do switch.
- Uma porta SFP de 1 Gbps não opera a 10 Gbps: um módulo SFP+ comum não funciona nela (só os módulos dual-rate 1G/10G, e a 1 Gbps).
- Portas SFP28 costumam aceitar SFP+ 10G, novamente conforme o equipamento.
- Em fibra não há autonegociação de velocidade: os dois lados do enlace precisam do mesmo padrão (mesma velocidade, mesmo tipo de fibra e comprimentos de onda compatíveis — iguais no módulo duplex, complementares no BiDi).
Distâncias: qual módulo para qual enlace
| Padrão IEEE 802.3 | Formato | Fibra | Comprimento de onda | Alcance especificado |
|---|---|---|---|---|
| 1000BASE-SX | SFP | multimodo 50 µm (OM2) | 850 nm | 550 m |
| 1000BASE-LX | SFP | monomodo | 1.310 nm | 5 km (módulos de mercado chegam a 10 km) |
| 1000BASE-T | SFP | cobre Cat5e | — | 100 m |
| 10GBASE-SR | SFP+ | multimodo OM3 / OM4 | 850 nm | 300 m / 400 m |
| 10GBASE-LR | SFP+ | monomodo | 1.310 nm | 10 km |
| 10GBASE-ER | SFP+ | monomodo | 1.550 nm | 40 km |
| 25GBASE-SR | SFP28 | multimodo OM3 / OM4 | 850 nm | 70 m / 100 m |
| 25GBASE-LR | SFP28 | monomodo | 1.310 nm | 10 km |
Acima de 40 km entram módulos de longo alcance em 1.550 nm (60, 80 e 100 km), que não são padrões IEEE e dependem da ficha de cada fabricante.
Duplex ou simplex (BiDi)
O módulo duplex usa duas fibras, uma para cada sentido, no mesmo comprimento de onda. O BiDi usa uma fibra só, transmitindo num comprimento de onda e recebendo em outro (por exemplo, Tx 1.310 nm / Rx 1.550 nm). Por isso BiDi sempre se compra em par A/B: as duas pontas precisam ser complementares. Dois módulos iguais nas duas pontas não comunicam. O padrão IEEE equivalente em 1 Gbps é o 1000BASE-BX10, para 10 km.
Na loja IRD.Net os módulos estão separados por velocidade: SFP 1,25 Gbps (multimodo, monomodo duplex, BiDi e RJ45) e SFP+ 10 Gbps (monomodo de 20 a 100 km e BiDi até 80 km). A linha completa de módulos SFP, SFP+, SFP28 e QSFP reúne também os de 25G, 40G e 100G. Para decidir entre monomodo e multimodo, veja SFP monomodo vs multimodo.
DDM: o diagnóstico digital do módulo
O DDM (Digital Diagnostic Monitoring), também chamado de DOM, é definido pela SFF-8472. O módulo mede cinco grandezas em tempo real, e o switch gerenciável mostra os valores na interface web ou na linha de comando:
| Grandeza | Para que serve | Precisão exigida (calibração interna, SFF-8472) |
|---|---|---|
| Temperatura | detectar ventilação deficiente no rack ou no painel | ±3 °C |
| Tensão de alimentação | problema na porta ou na fonte do equipamento | ±3% |
| Corrente de polarização do laser | envelhecimento do laser (a corrente sobe com o tempo) | ±10% |
| Potência transmitida | confirmar que o laser está emitindo | ±3 dB |
| Potência recebida | medir a perda do enlace sem desconectar nada | ±3 dB |
A potência recebida é o dado mais útil em campo: comparada ao valor da instalação, mostra se um conector sujou, se um cordão foi dobrado ou se uma emenda degradou — antes de o enlace cair. Lembre que ±3 dB é uma tolerância larga: o DDM serve para acompanhar tendência, não substitui o power meter na certificação.
Exemplo resolvido: orçamento de potência óptica
O enlace funciona quando a potência que chega ao receptor fica entre a sensibilidade (mínimo) e o overload (máximo). O orçamento de potência é a diferença entre a menor potência transmitida e a sensibilidade.
Caso 1: enlace de 8 km com SFP 1,25 Gbps de 10 km
Ficha do módulo monomodo 1.310 nm de 10 km da IRD.Net: potência transmitida de −9 a −3 dBm, sensibilidade −23 dBm, overload −3 dBm. Orçamento: −9 − (−23) = 14 dB.
Perda máxima do enlace pelo critério da ANSI/TIA-568.3-D: 8 km × 0,5 dB/km = 4,0 dB; 2 pares de conectores × 0,75 dB = 1,5 dB; 4 emendas × 0,3 dB = 1,2 dB. Total: 6,7 dB. Margem: 14 − 6,7 = 7,3 dB — confortável, inclusive para o envelhecimento e para uma emenda de reparo futura.
Caso 2: o módulo mais potente nem sempre é o melhor
Módulos de longo alcance transmitem com mais potência — nas fichas de módulos de 40 km ou mais, a potência máxima costuma ficar perto de 0 dBm ou acima —, enquanto o receptor tem um limite superior, o overload: o 1000BASE-LX do IEEE 802.3, por exemplo, admite no máximo −3 dBm na entrada. Num exemplo ilustrativo, um módulo que transmita até 0 dBm, num enlace curto de 300 m com perda de 1,5 dB, entrega até 0 − 1,5 = −1,5 dBm ao receptor — acima de um overload de −3 dBm. O receptor satura e o enlace apresenta erros, ou nem sobe; a perda do enlace precisaria ser de pelo menos 3 dB. A regra: se a potência máxima de transmissão menos a perda real do enlace passar do overload da ficha, use o módulo de alcance adequado ou instale um atenuador óptico. Por isso a escolha começa pela distância real, não pelo “maior alcance possível”.
Erros comuns com módulos SFP
- Misturar fibra e módulo: módulo multimodo 850 nm em fibra monomodo (ou o inverso) pode até subir o link em poucos metros e falhar na distância real.
- BiDi igual nas duas pontas: sempre par A/B complementar.
- Velocidades diferentes nas pontas: SFP 1G de um lado e SFP+ 10G do outro não comunicam.
- Saturar o receptor com módulo de longo alcance em enlace curto (Caso 2 acima).
- Conector sujo: limpar e inspecionar o cordão antes de conectar; nunca olhar para dentro do módulo ou da fibra ativa.
- Cordão com conector errado: módulos SFP usam LC; DIOs e conversores costumam usar SC — o cordão LC-SC resolve. Veja os cordões ópticos LC-LC e LC-SC.
- Ignorar a temperatura de operação: módulos de faixa comercial são especificados para 0 °C a 70 °C; em painel industrial externo, confira a faixa do módulo e do switch.
- Esquecer a compatibilidade com o equipamento: alguns fabricantes de switch recusam módulos cuja EEPROM não traga o código deles. Confirme antes da compra.
Para distâncias de poucos metros entre switches do mesmo rack, um cabo DAC costuma sair mais barato que dois módulos e um cordão: veja cabo DAC: o que é, tipos e limites.
Perguntas Frequentes
O que é SFP?
SFP é um transceptor removível que se encaixa na porta de switches, roteadores e conversores e define o meio físico da porta: fibra multimodo, fibra monomodo ou cobre RJ45. Na versão óptica, converte o sinal elétrico em luz e vice-versa.
O que significa SFP?
Small Form-factor Pluggable: “conectável de formato pequeno”. O nome vem do acordo entre fabricantes (MSA) que padronizou o tamanho, o conector elétrico e a memória de identificação do módulo.
O que é porta SFP no switch?
É a entrada onde se encaixa o módulo SFP. Ela não tem meio físico próprio: só funciona com um módulo instalado, o que permite escolher fibra ou cobre e o alcance de acordo com cada enlace. Portas SFP+ trabalham a 10 Gbps e, em muitos modelos, também aceitam módulos de 1 Gbps.
Qual a diferença entre SFP e SFP+?
O tamanho é o mesmo; a velocidade muda. O SFP vai até 1 Gbps e o SFP+ opera a 10 Gbps. Muitas portas SFP+ aceitam módulos SFP de 1 Gbps, mas uma porta SFP não aceita módulo SFP+.
Módulo SFP é só para fibra óptica?
Não. Existem módulos SFP com conector RJ45 para cabo de par trançado (1000BASE-T, até 100 m) e SFP+ RJ45 de 10 Gbps para distâncias curtas, além dos cabos DAC de cobre dentro do rack.
O que é DDM em um módulo SFP?
É o diagnóstico digital definido na SFF-8472: o módulo informa temperatura, tensão, corrente do laser e potências transmitida e recebida, que o switch gerenciável exibe para acompanhar a saúde do enlace.