10BASE-T, 100BASE-TX e 1000BASE-T são os três padrões IEEE 802.3 de Ethernet em cabo de par trançado: o 10BASE-T transmite a 10 Mbps em dois pares de cabo Cat3 ou superior, o 100BASE-TX (Fast Ethernet) a 100 Mbps em dois pares de Cat5, e o 1000BASE-T (Gigabit Ethernet) a 1000 Mbps usando os quatro pares de um cabo Cat5e. Os três alcançam até 100 m por enlace e convivem na mesma porta: é isso que significa “10/100/1000BASE-T” na ficha de um switch ou placa de rede.
A seguir: o que quer dizer cada parte do nome, como cada padrão codifica o sinal, quais pares e categorias de cabo usa, como funciona a autonegociação, e os nomes que confundem, como “10BASE-TX” e “1000BASE-TX”.
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Como ler o nome: 10, BASE e T
A nomenclatura do IEEE 802.3 tem três partes:
- Número: a taxa nominal em Mbps (10, 100, 1000).
- BASE: transmissão em banda base, ou seja, o sinal digital ocupa o meio sozinho, sem modulação sobre portadora.
- Sufixo: o meio físico. T indica par trançado (twisted pair). No 100BASE-TX, o “X” indica a família que reaproveita a codificação 4B5B do padrão FDDI, a mesma do 100BASE-FX em fibra.
Por isso “10baset”, “10 base t” e “10BASE-T” são a mesma coisa. Já “100BASE-T” é o nome da família Fast Ethernet em par trançado, que inclui o 100BASE-TX (o único que se popularizou), o 100BASE-T4 e o 100BASE-T2. Na prática, quando uma ficha técnica diz “100BASE-T”, ela quase sempre se refere ao 100BASE-TX.
Tabela comparativa
| Característica | 10BASE-T | 100BASE-TX | 1000BASE-T |
|---|---|---|---|
| Nome comum | Ethernet | Fast Ethernet | Gigabit Ethernet |
| Norma (ano) | IEEE 802.3i (1990) | IEEE 802.3u (1995) | IEEE 802.3ab (1999) |
| Taxa | 10 Mbps | 100 Mbps | 1000 Mbps |
| Pares usados | 2 (um transmite, outro recebe) | 2 (um transmite, outro recebe) | 4, todos nos dois sentidos ao mesmo tempo |
| Pinos RJ45 | 1-2 e 3-6 | 1-2 e 3-6 | Os 8 pinos |
| Codificação | Manchester | 4B5B + MLT-3 | PAM-5 em 4 dimensões, com codificação trellis |
| Taxa de símbolos | Sinal com fundamental de 10 MHz | 125 Mbaud | 125 Mbaud por par |
| Cabo mínimo | Cat3 | Cat5 | Cat5 na norma; Cat5e na prática |
| Alcance máximo | 100 m | 100 m | 100 m |
| Duplex | Half ou full | Half ou full | Full na prática |
| Autonegociação | Opcional | Opcional | Obrigatória |
10BASE-T: a Ethernet em par trançado
O 10BASE-T, padronizado no IEEE 802.3i em 1990, levou a Ethernet do cabo coaxial (10BASE5 e 10BASE2) para o par trançado em topologia estrela, com cada estação ligada a um hub ou switch. Usa dois pares: pinos 1-2 para transmitir e 3-6 para receber, do ponto de vista da placa de rede.
A codificação é Manchester: cada bit é representado por uma transição no meio do intervalo de bit (descida ou subida). Isso garante sincronismo de relógio, mas dobra a frequência de sinalização, por isso 10 Mbps já pedem cabo especificado até 16 MHz (Cat3). Originalmente o 10BASE-T era half duplex, com CSMA/CD; o full duplex chegou com o IEEE 802.3x, em 1997, e hoje é o modo normal em portas de switch.
Ainda é encontrado em equipamentos industriais e de automação mais antigos, medidores, conversores serial-Ethernet e alguns CLPs. Toda porta 10/100 ou 10/100/1000 continua aceitando 10BASE-T.
100BASE-TX: Fast Ethernet
O 100BASE-TX (IEEE 802.3u, 1995) multiplica a taxa por dez mantendo os mesmos dois pares e a mesma pinagem. Para caber no cabo, o sinal passa por duas etapas:
- 4B5B: cada 4 bits de dados viram um código de 5 bits, escolhido para ter transições suficientes. 100 Mbps viram 125 Mbaud.
- MLT-3: o sinal circula por três níveis (+, 0, −), mudando de nível a cada bit 1. Isso reduz a frequência fundamental para cerca de 31,25 MHz, dentro dos 100 MHz especificados para o Cat5.
Como só dois pares são usados, os pares 4-5 e 7-8 ficam livres. É comum encontrar em painéis industriais cabos de dois pares (quatro vias) que funcionam bem em Fast Ethernet e não sustentam Gigabit. Os switches Fast Ethernet 10/100M continuam sendo a escolha econômica para redes de sensores, câmeras de baixa resolução, IHMs e CLPs, onde 100 Mbps sobram.
1000BASE-T: Gigabit Ethernet em cobre
O 1000BASE-T (IEEE 802.3ab, 1999) chega a 1000 Mbps sem aumentar a taxa de símbolos do Fast Ethernet. Ele combina três técnicas:
- Quatro pares em paralelo: cada par leva 250 Mbps; 4 × 250 = 1000 Mbps.
- PAM-5: cinco níveis de tensão por símbolo, carregando 2 bits de dados por símbolo em cada par, a 125 Mbaud (o quinto nível dá margem para a codificação de erro trellis).
- Full duplex no mesmo par: os dois lados transmitem ao mesmo tempo em todos os quatro pares. Circuitos híbridos e cancelamento de eco separam o sinal recebido do que o próprio PHY está transmitindo, e o cancelamento de diafonia (NEXT/FEXT) compensa a interferência entre pares.
A norma foi escrita para cabo Cat5 que atendesse a parâmetros adicionais; o Cat5e foi criado justamente para garantir esses parâmetros, e por isso é o mínimo recomendado. Cat6 dá margem extra em ambientes com ruído. A autonegociação é obrigatória no 1000BASE-T, porque é por ela que as duas pontas decidem quem é master (fornece o relógio) e quem é slave.
Os switches Gigabit Ethernet 10/100/1000M da IRD.Net negociam os três padrões em cada porta.
Categorias de cabo e o limite de 100 m
| Categoria | Frequência especificada | Suporta |
|---|---|---|
| Cat3 | 16 MHz | 10BASE-T |
| Cat5 | 100 MHz | 10BASE-T, 100BASE-TX (1000BASE-T só se certificado nos parâmetros adicionais) |
| Cat5e | 100 MHz, com requisitos de diafonia e perda de retorno mais rígidos | Os três padrões |
| Cat6 | 250 MHz | Os três padrões, com mais margem |
Os 100 m são o limite do canal completo: pela norma de cabeamento ANSI/TIA-568, até 90 m de cabo fixo (enlace permanente) mais até 10 m somando os cordões das duas pontas. O limite vem do tempo de propagação e da atenuação, e vale igual para os três padrões. Para passar de 100 m, use um switch intermediário ou fibra óptica com conversor de mídia.
Autonegociação e o “10/100/1000BASE-T”
Quando o cabo é conectado, as duas portas trocam pulsos de autonegociação (cláusula 28 do IEEE 802.3) anunciando o que suportam e escolhem o melhor modo comum, nesta ordem de prioridade: 1000BASE-T full, 1000BASE-T half, 100BASE-TX full, 100BASE-TX half, 10BASE-T full, 10BASE-T half. Por isso uma porta “10/100/1000BASE-T” é uma porta que fala os três padrões, e “10/100BASE-TX” é uma porta que fala 10BASE-T e 100BASE-TX.
O problema clássico aparece quando um lado é fixado manualmente (por exemplo, 100 Mbps full) e o outro fica em automático: o lado automático não recebe a negociação, detecta só a velocidade e assume half duplex. O link sobe, mas com colisões e perda de desempenho. Os detalhes estão no artigo sobre full duplex e half duplex em Ethernet.
Nomes que confundem: 10BASE-TX, 1000BASE-TX e 100BASE-T
- “10BASE-TX” não existe. O padrão de 10 Mbps em par trançado é o 10BASE-T. O termo aparece por mistura com “10/100BASE-TX”.
- 1000BASE-TX existiu, mas não pegou. Foi uma norma da TIA (TIA-854), não do IEEE, que usava dois pares em cada sentido sobre cabo Cat6 para simplificar a eletrônica. O mercado adotou o 1000BASE-T do IEEE, e as placas e switches Gigabit em cobre são 1000BASE-T. Se uma ficha disser 1000BASE-TX, quase sempre é erro de digitação de 1000BASE-T.
- 100BASE-T e 100BASE-TX: o primeiro é a família; o segundo, o padrão que se usa na prática.
Exemplo prático: quanto tempo leva para transferir um arquivo
Um backup de 1 GB (8.000 megabits) entre um servidor e um NAS, desprezando a sobrecarga de protocolo:
- 10BASE-T: 8.000 ÷ 10 = 800 s, mais de 13 minutos
- 100BASE-TX: 8.000 ÷ 100 = 80 s
- 1000BASE-T: 8.000 ÷ 1000 = 8 s
Na prática, os cabeçalhos Ethernet, IP e TCP consomem alguns pontos percentuais da banda, e o disco pode ser o gargalo no Gigabit. Para um CLP que troca algumas centenas de bytes a cada ciclo, 100 Mbps são mais que suficientes; para servidor, NAS e câmeras de alta resolução, Gigabit é o mínimo razoável. No servidor, a porta pode vir de uma placa de rede PCI Express Gigabit.
Diagnóstico: porta Gigabit que só conecta a 100 Mbps
É o sintoma mais comum em rede existente, e quase sempre a causa está no cabo:
- Par interrompido: se o par 4-5 ou 7-8 estiver aberto ou mal crimpado, o 1000BASE-T não sobe. Muitos PHYs fazem então uma redução automática para 100 Mbps (recurso do fabricante, não da norma), e o link parece normal.
- Cabo de dois pares: comum em instalações antigas ou em cabos de painel; funciona em Fast Ethernet e não em Gigabit.
- Cabo Cat5 antigo ou fora de norma, ou emendas no meio do lance.
- Velocidade fixada manualmente em uma das pontas.
Um testador de continuidade resolve os dois primeiros casos; para o terceiro, só a certificação do cabeamento com equipamento de teste.
Erros comuns
- Achar que o cabo tem velocidade. O cabo tem categoria; a velocidade é negociada pelas portas. Cat5e não limita a 100 Mbps.
- Usar só quatro vias em rede Gigabit para “economizar” cabo ou pinos.
- Passar de 100 m somando cabo fixo e cordões.
- Fixar velocidade e duplex em uma ponta só, provocando duplex mismatch.
- Tratar 10BASE-T e “10baset” como padrões diferentes: é o mesmo padrão escrito de outro jeito.
Perguntas Frequentes
O que é 10BASE-T?
10BASE-T é o padrão Ethernet IEEE 802.3i, de 1990, que transmite a 10 Mbps em dois pares de cabo de par trançado Cat3 ou superior, com codificação Manchester e alcance de até 100 m. Toda porta 10/100 ou 10/100/1000 aceita 10BASE-T.
Qual a diferença entre 100BASE-TX e 1000BASE-T?
O 100BASE-TX (Fast Ethernet) transmite a 100 Mbps em dois pares de cabo Cat5, um em cada sentido, com codificação 4B5B e MLT-3. O 1000BASE-T (Gigabit Ethernet) transmite a 1000 Mbps nos quatro pares de um cabo Cat5e, com PAM-5 e os dois sentidos simultâneos em cada par. Os dois alcançam 100 m.
O que significa 10/100/1000BASE-T?
Significa que a porta suporta os três padrões, 10BASE-T, 100BASE-TX e 1000BASE-T, e escolhe automaticamente o mais rápido que o equipamento do outro lado também suporta, por autonegociação.
100BASE-T é o mesmo que 100BASE-TX?
100BASE-T é o nome da família Fast Ethernet em par trançado, que inclui 100BASE-TX, 100BASE-T4 e 100BASE-T2. Na prática só o 100BASE-TX se popularizou, então os dois termos costumam ser usados como sinônimos.
Existe 10BASE-TX ou 1000BASE-TX?
10BASE-TX não existe; o padrão de 10 Mbps é o 10BASE-T. O 1000BASE-TX foi uma norma da TIA (TIA-854) para cabo Cat6 que não foi adotada pelo mercado; o Gigabit em cobre usado em switches e placas é o 1000BASE-T do IEEE.
10BASE-T funciona em full duplex?
Sim. O 10BASE-T nasceu half duplex, mas o IEEE 802.3x (1997) acrescentou o full duplex, em que cada lado transmite e recebe ao mesmo tempo, sem colisões. Em porta de switch, 10BASE-T opera normalmente em full duplex.